 |
|
Meu Perfil
BRASIL, Nordeste, FORTALEZA, PAPICU, Homem, English, German, Política, Cinema e vídeo MSN - jeremydrowned@hotmail.com
|
|
|
Histórico
04/09/2005 a 10/09/2005
17/07/2005 a 23/07/2005
10/07/2005 a 16/07/2005
10/04/2005 a 16/04/2005
03/04/2005 a 09/04/2005
30/01/2005 a 05/02/2005
16/01/2005 a 22/01/2005
Votação
Dê uma nota para meu blog
Outros sites
Blog do Tas
Blog da Lela - Colcha de retalhos
Blog da Andressa - Momentos de epifania
Blog do Bené - O apanhador de sonhos
|
 |
 |
| Viver é muito perigoso |
|
| |
Pensavento-flor
Antes do tempo o vento leva lava enleva e eleva os ruídos do pensar
e faz corrente
sem elos pois promíscuo
influxo pois inacabado eternamente
e vem o tempo rapta as pensamentes fazendo o corpo sorver o chão
terra brota flor pétala do vento ao sabor
[]
[envie esta mensagem]
anfibiotite
Anime-me
Mime-me
Minado encontro-me
Estradas solveram-se
Estrelas sublimaram
O leite azedou
[]
[envie esta mensagem]
O beijo da gotinha na nervura
E eu me faria voz, se não me achasse só mais um. Mas só mais umas são as vozes.Eterno devir? Talvez. Eternidade implica andamento, que é constante, mas andamento. Seria como a água, sempre tão infame e traiçoeira, jorra entre veias de barro – ambas - ; santifica-se, subindo aos céus; sem resistir, volta ao pecado, por orgias cheias de luz e som. Sim, voz é água, por mais que se disfarce de neve macia ou de chuva tropical, sempre por sobre nós escorrerá as fraquezas do homem, ser inútil quando só, perigoso quando em companhia. De que me adiantaria gritar contra os desejos tolos dos que me oferecem o pão? Seria eu ingrato, mas não original. Por isso, hei de me calar. Quero ser a folha da árvore, que se alimenta de vozes e sobre onde repousa o orvalho das manhãs.
E das noites.
[]
[envie esta mensagem]
multa: embebido ao volante
Enquanto calmamente aguardava que o vermelho do sinal sumisse, observava o carro que em frente ao meu se encontrava. Na verdade, não foi o carro em si que me prendeu a atenção, mas os signos garrafais, em dourado, que estampavam: Deus É Fiel ; escrito exatamente deste modo, com iniciais todas maiúsculas, apesar da grandiosidade das minúsculas. Foi o suficiente pra que dilatasse os talvez cinco segundos que ainda me restavam de vermelho. Ganhei minutos, ou até mais de hora, em busca do porquê de deus ser fiel. De início, veio-me: porventura fosse o proprietário do carro membro daquela torcida de futebol ( ou seria escola de samba?) e decidira arregimentar deus para tão nobre agremiação. Dissuadi-me, entretanto, desta idéia, pois caso fosse verdadeira, certamente haveria ao lado da frase a figura de um velho imponente, albibarbado (perdoe-me os neologismos, gosto deles), empunhando o estandarte do seu grupo, pois comunicação por desenhos sempre é mais eficaz, sem falar que é preciso valorizar a arte. Lembrei-me, então, da morte do papa e anexei automaticamente uma informação à outra: frase e papa. Incrível é a capacidade das pessoas de cegarem-se para a dúvida, hermético é o afinco com que aguçam os ouvidos para as verdades de cruzes, muros ou pedras. Óbvio que vida com incertezas é vida mais difícil, não sabemos se estamos ao pé da montanha ou à beira do abismo, ou até mesmo entre os dois, mas estamos de pé, em movimento. Deitar-se, entretanto, é muito bom, confortável, não cansa. E se nos protegem dos animais (que nunca vimos), e se nos consolam das lágrimas (que não choramos), por que sair andando? Deixemos que o papa ande por nós e nos traga lindas letras douradas. Garrafais.
Deus é fiel quando o homem obedece. O sinal verde apareceu.
[]
[envie esta mensagem]
Umbilical
Imagem, a minha imagem, eis um mistério . A cada vez que me olho no espelho percebo-me outro, alheio a mim mesmo. Essa alteridade, no mais das vezes, traz-me muita satisfação, pois vejo que há no mundo alguém que comigo se parece. E o que menos importa é a semelhança do contorno do rosto, da cor dos olhos e da pele, do nariz peculiar e destoante, mas sim a certeza de que aquele ser que me fita acompanhou minha história, sabe os porquês dos atos e verbos tresloucados. Tamanha cumplicidade justifica nossas longas prosas cotidianas. Tudo muito dialético, evitamos a unanimidade.Isto posto, importa lembrar que não faço do espelho um lago de águas calmas, guarida ante os horrores do mundo. Paradoxalmente, o espelho, que me possibilita conhecer de mim aquilo que nele não vejo, distorce-me a idéia que tenho sobre minha própria materialidade, delineação física, o modo como os outros me vêem. Não sei com qual dos gêmeos quirais prefiro parecer, até porque não sei o que sou; sei quem sou: soma inconstante de opostos, ser inacabado.O nome que me deram não termina em S por acaso.
Disse certa vez a uma jovem senhora que, para mim, eu me bastava. Sabia, entretanto, da falsidade daquela afirmação, pois tinha, em viva mente, consciência de minha adição por meu confidente especular.
[]
[envie esta mensagem]
Marchinha
Odeio carnaval. DaMatta disse-me que o carnaval é um dos elementos de democratização em nossa sociedade, pois as diversidades são suplantadas pela centralização do corpo, do exibicionismo, da lascívia. Não ouso discordar, mas tenho minhas dúvidas. A tirania do gozo constante, hodiernamente imbatível, tem possivelmente no carnaval o seu mais colorido background.
Que bobagem! Qual o problema? – acode-me a voz interior que prima pela boa convivência social. Os romanos também tinham seus cultos a Baco, por demais adorados, cuja descrição ainda hoje causaria rubor nas mentes menos carnavalescas.
Agora! Exatamente agora entendi a grandiosidade do carnaval! Como fui inepto em minha observação anterior, só não a apago para não diminuir o texto. Mas a verdade é que, impetuosamente, promovo um plus ao pensamento de Darcy Ribeiro, que afirmava ser o Brasil o real império neo-latino. Ele deveras acertou, e a minha contribuição é mostrar que o carnaval é o modo brasileiro de festejar Dionísio ( nome grego do deus Baco ). Sinto que minha ponderação era o que faltava para dissipar qualquer dúvida acerca da magnificência e relevância deste evento.
Somos o novo Império do Lácio! - ótimo tema para uma escola de samba.
[]
[envie esta mensagem]
Veiculando
Não costumo ter saudade do passado, mas revelo sentir falta dos tempos em que andava no banco de trás do carro. Era tão mais confortável, tão mais empolgante. Podia prestar mais atenção às pessoas das ruas, somar os números das placas dos carros que passavam, desejar os importados que perversamente se exibiam diante de mim. Hoje em dia ainda mantenho esses passatempos agradáveis, mas o banco de motorista me trouxe muitos inconvenientes: câmbio, volante, embreagem, freios – gosto do acelerador, meu contido prazer -, pessoas e cachorra me pedindo para ir para aqui, para acolá. Não sei se a liberdade de ir aonde quero compensa tais desgastes. Bom mesmo é ter chauffeur; pagando, o sujeito o leva aonde você quer, sem reclamar do horário nem da distância. Ter o poder de não mais ser o destinatário, e sim o declarante, das queixas sobre os buracos e sobre a velocidade ( a pouca, é claro). Toda essa força emanaria de mim, bem instalado no banco de trás.
[]
[envie esta mensagem]
Os acontecimentos me enojam
Confesso: sou um ser abusado. Poderia até buscar uma palavra mais branda para me definir, mas guardo os eufemismos para descrever os outros. A mim reservo o privilégio de usar o vocábulo cru , o termo injuriante, pois tenho plena consciência de que para lidar comigo mesmo não posso baixar a guarda, qualquer agrado que me faço já acho logo que é verdade.
Elejo, então, uma presa fácil para o meu sanguinário abuso: a velha ambivalência graça-pecado. Explico. A cada dia me vejo mais enjoado( por que não enojado?...) quando me deparo com indivíduos que, atingidos por algum infortúnio, desencadeiam um processo insano de levantamento do seu passado recente em busca de algum ato ou simples pensamento que irritou os comandantes da existência e gerou a adversidade. Em termos práticos, é o caso do cristão que procura explicar o assalto que sofreu no fim do dia devido à olhada que dera, no dia anterior, para a porção dos peitos que saía do decote da namorada de seu melhor amigo. Isso me dá um abuso colossal, esse conceito impalpável - absolutamente impalpável - , o pecado. Argumento típico das crenças messiânicas, o pecado recai exatamente sobre aquilo que é tipicamente humano, acho não ser preciso dar exemplos. Com a mesma intensidade me abuso quando o cidadão se acha agraciado pelos deuses devido ao seu bom(?) comportamento, está praticamente ao lado direito de deus, é um eleito... Relendo o exemplo conjugal, é o caso do sujeito que justifica nunca ter sido assaltado ( os deuses o protegem ) por ter sido sempre fiel à esposa.
Santa ignorância... - de minha parte, é claro.
[]
[envie esta mensagem]
Mão única
Este texto inicial começo dedicando-o a mim mesmo, não porque seja grande merecedor de minhas próprias obras, mas por saber que serei o único a lê-lo. Incrível é o medo que nos abate em momentos de descobrimento, de desbravamento do novo; e peço, desde logo, desculpas pela tendência a universalizar aquilo que nem mesmo eu tenho certeza de estar sentido. Mas a verdade é que me vejo diante de uma grande temeridade: escrever algo que se submeterá ao jugo alheio. Não quero simples mensagens de incentivo, nem de congratulação. Quero o escárnio ou a glória, o demérito exposto ou a concordância consciente. Sei que é tudo muito difícil: primeiro alguém se demorar em ler isto, depois emitir alguma opinião – haja vista o desânimo que certamente minhas palavras provocarão. Não me curvo, entretanto, à inanição, a realidade é trágica, mas é a única via da existência. Afinal, viver é muito perigoso...
[]
[envie esta mensagem]
[ ver mensagens anteriores ]
|
| |
|
 |
|